quinta-feira, 2 de julho de 2009

LUTO

O Índice de violência no Rio de Janeiro é altíssimo e todo mundo sabe disso, como moradores desta cidade tomamos a precaução de sempre ter uma rota alternativa, não andar com muito nem com nenhum dinheiro, atenção 360° a sua volta, desconfiar da própria sombra esse tipo de coisa. A repetição de notícias de assassinatos, acidentes, crimes em profusão nos apavora, e indigna num primeiro momento, a repetição acaba por nos “anestesiar”, e parece já não doer tanto a noticia de uma morte. Os últimos acontecimentos da semana me levam a declarar Luto, motivos pessoais e outros nem pessoais são, mas mexeram comigo da mesma forma.

De trás pra frente:

Ontem aconteceu um acidente com uma vã que faz o transporte de estudantes na linha vermelha e 5 destes estudantes não resistiram, e tudo o que a imprensa sabe dizer é que a vã era ilegal. Minha cabeça deu uma volta, a linha vermelha é uma via expressa e a vã bateu em um carro guincho. Pergunto, o guincho era legal? Estava sinalizado que estava prestando socorro a outro motorista? (digo isso por que não é raro ver os carros parados nesta mesma via com problemas mecânicos e nenhuma sinalização e ai os acidentes acontecem.) o motorista da vã não é nenhum louco de arriscar a vida dos filhos dos outros ora, aquilo ali é o ganha pão dele, não acredito que ele tenha excedido o limite de velocidade da via, enfim expresso aqui, como mãe que coloca o filho na vã toda manhã, minha solidariedade aos pais que perderam seus rebentos, Que Deus possa confortar seus corações.

Sepultamos um sobrinho esta terça-feira, brutalmente assassinado, a principio por ser confundido com um policia. Um cara novo, cheio de planos, super do bem, com uma história linda pela frente, que foi interrompida por bandidos que estão soltos certos de sua impunidade. A família toda esta enlutada, dolorida, inconformada, se perguntando quando isso vai acabar?

Queria expressar minha dor e fazer minha homenagem ao Douglas.
Queria ter palavras pra consolar e confortar minha irmã.
Queria muito que parasse de doer.
Quero, precisamos, dar um basta na violência.

Abaixo um trecho da musica do Leoni (Quando a dor te corta) que diz exatamente o que quero dizer pra Suzi, mas as lágrimas não deixam.

“De que adianta você saber o quanto eu sinto
Minha dor vai ser mais problema que solução
Por fora eu disfarço o quanto eu ando aflito [e será que consigo disfarçar? Te acho tão mais forte do que eu…]
De só ter pra ter dar meu tempo,
E minha inútil compaixão.
Vou esperar do seu lado
A tempestade passar
Vou esperar do seu lado
Porque eu só posso esperar.”